19 setembro 2026

Fotografia

 


Há uma fotografia minha – uma das poucas, bem verdade – de que gosto muito: estou parado, a seriedade disfarçando o orgulho do objeto que eu ostentava: o livro Antonio Carlos Jobim – Um homem iluminado, biografia do maestro escrita por sua irmã, Helena Jobim. Era minha primeira Bienal do Livro, estava num passeio da escola e tinha vendido, no ônibus, salgadinhos que minha fizera para eu poder comprar aquele livro.

Se a memória não falha, o ano era 2003. E esse foi o livro zero da modesta biblioteca que comecei a formar desde então. Eu me lembrei dessa fotografia pelo livro mesmo: num tempo em que celulares só faziam ligações, fiz questão de gastar uma das fotos contadas que podíamos tirar para registrar aquele momento porque eu tinha mais ou menos noção de que seria importante pra mim.

E não estava errado. Aquela fotografia registra dois elementos que são basilares da minha formação humana e, mais tarde, profissional. O primeiro, não precisa dizer, são os livros. Estão no meu quarto e na minha vida desde que aprendi a fazer escolhas. O segundo é a música – e nesse caso específico, a música de Tom Jobim.

E é isso. O texto podia acabar aqui porque está tudo dito e resumido: a música de Antonio Carlos Jobim me acompanha desde os onze, doze anos de idade, pesou na minha decisão de fazer Letras, não cansa de aparecer nas minhas aulas e avaliações. E embora não seja da conta e do interesse de quase ninguém, a informação tem razão de ser: estamos a poucos meses de comemorar o centenário do maestro.

A biografia que Helena escreveu foi relembrada pela data próxima e ficou, então, desde sua primeira leitura ávida, em permanente estado de leitura. Tornou-se um livro importante não só pelo tom íntimo e afetuoso da escrita, mas por ser símbolo de um mundo que há muito começou a ruir. Acredito firmemente que, dentre os vários elementos que ajudam a conter essa erosão, está a música de Tom.

Por isso estou entre aqueles que concordam com o que Ruy Castro escreveu no livro A onda que se ergueu no mar: “Todas as vezes que Tom abriu o piano, o mundo melhorou.”. Aquela fotografia, pra mim, é isso: o registro de um mundo que começava a ficar melhor.

04 setembro 2026

LIVROS



Neste romance, António Nassi revisita a própria trajetória e transforma memórias em uma quase confissão. Entre encontros que se fizeram símbolos, amores que se feriram e desamores que permaneceram como passos de uma valsa, ele percorre os caminhos de uma existência feita de (não)escolhas, desejos, perdas e recomeços.
Mas sua história pessoal não acontece no vazio, está na moldura de um dos períodos mais sombrios da história brasileira: a ditadura militar. Enquanto o país experimenta o medo, o silêncio e a repressão, ele também enfrenta suas próprias lutas e resistências — inclusive contra a doença, que passa a ocupar um lugar cada vez mais profundo e marfim em sua vida. Uma vida atravessada pela história.







Resultado da minha dissertação de mestrado, este livro trata do problema de leitura formulado a partir da seguinte questão: buscando aumentar o repertório de leitura dos alunos do ensino fundamental, especialmente do 6º ano, aliado a uma melhora na qualidade do ato de ler, de que maneira teorias como o dialogismo e a interdiscursividade podem contribuir para que os alunos desenvolvam habilidades de leitura importantes para a construção de sentidos?
Para responder a essa questão, temos como hipótese a estruturação de uma proposta de intervenção em que os estudantes, ao terem contato com diferentes textos do mesmo gênero, dentro de uma perspectiva intertextual, interdiscursiva e dialógica, podem desenvolver as habilidades de leitura previstas para o segmento/série.




O BOLSONARISMO NÃO É DE DIREITA

  Há um equívoco não desfeito desde 2022 que esse 2º turno fez repensar – mesmo em meio ao burburinho incessante e massacrante das redes soc...