Por quê? Porque eu sei que artistas não vivem em
função da Lei Rouanet, e os que recebem não o fazem “pra defender o PT”. Porque
eu sei que professores estão tentando sobreviver num país que, além de não os
valorizar, ainda os taxam de “doutrinadores”. Porque eu sei que católicos não
são idólatras e têm tanto direito de professar sua fé quanto qualquer outra
religião num país laico. Porque eu sei que trabalhadores precisam de direitos
básicos e contribuem tanto quanto seus patrões para a construção de uma nação.
Porque eu sei que as minorias não devem se curvar às maiorias, mas coexistir
com direitos iguais e assegurados. Porque, por fim, sei que essas classes que
citei são só uma pequena parcela dos apoios que Lula recebe: apoios não
comprados nem ameaçados, mas conquistados à luz de uma identificação e de um
reconhecimento.
Por quê? Porque eu sei que das duas opções possíveis,
Lula é o único que tem não só o apreço pela democracia, mas o compromisso de
conservar e ampliar os direitos até aqui conquistados.
Por quê? Porque eu sei que desde 1989, em todas as
eleições que disputou, Lula respeitos a vontade dos eleitores, reconheceu
derrotas, recebeu e passou a faixa, respeitou todo e qualquer processo legal – inclusive
cumprindo a pena de um julgamento viciado.
Por quê? Porque eu sou fruto das políticas sociais dos
governos dele, porque eu vi muito aluno meu só não passar fome por causa do
Bolsa Família e do Pé de Meia, porque ele sempre foi um político que encara
gasto como investimento.
Por quê? Porque eu ouvi um dia o Saramago declarar: “Não
é a pornografia que é obscena. A fome é que é obscena.”. Porque eu nunca passei
fome como Lula pra reconhecer que nós saímos do Mapa da Fome em seus governos, e
que deixamos de nos preocupar com ela, a fome, para arrotar pautas morais e sem
sentido face a uma necessidade humana básica que a hipocrisia
político-religiosa não consegue satisfazer.
Por quê? Porque Lula está longe de ser perfeito.
Gente perfeita é produto e só existe nas redes sociais, onde tudo é mentiroso.
Porque só estamos tendo de escolher entre uma figura histórica, símbolo da
nossa redemocratização, e um playboy miliciano manipulado por um coach psicopata
por causa dessa hidra chamada de “Big techs”, chocadeiras do radicalismo e da
burrice da extrema direita pelo mundo inteiro, e aqui no Brasil do congresso
mais nefasto da história.
Por quê? Porque, no momento, é a única solução
possível para quem quer um país, não um simulacro de algoritmo. Porque, enfim,
é a civilidade em detrimento da barbárie, é a educação em detrimento da ignorância,
é a cultura em detrimento da truculência, é a democracia em detrimento do
golpismo.
Por quê? Pelo motivo mais pessoal e mais coletivo,
mais importante: porque quero deixar registrado para minha filha que escolhi,
com meu voto, o melhor pro futuro dela.










